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quarta-feira, 26 de abril de 2017

A VOZ QUE NÃO É OUVIDA

Foto tirada na Vila Itororó - Canteiro Aberto
(Arte feita pelo Bruno Pastore)
A arte urbana, apesar de estar presente nas ruas há muitos anos, ainda é discriminada por uma grande parte da sociedade. A intolerância sobre a pichação é regida por questões sócio-raciais, onde é carregado um pensamento de que, quem pixa é "vagabundo", mas felizmente, às ruas estão repletas de grandes artistas que estão crescendo e ficando cada vez mais fortes, principalmente nas regiões menos favorecidas, que tem a opressão como maior estimulo, e a revolta é feita através do piche. A verdade é ocultada pela mídia manipuladora que insiste em vincular arte à criminalidade, distorcendo fatos e obstruindo o real significado do grafite. 

A verdade é que ninguém acorda com a necessidade de pichar um muro, se não houver algo querendo sair de dentro de si. Esse algo é um monstro que é criado, que grita e dói a quem ouve. É uma voz que clama por socorro, mas só é ouvida por quem sabe o que é ser oprimido, mas ela se liberta quando alguém pressiona o spray e expressa um sentimento que está sufocando-o. 

Alguém que criminaliza essa arte, certamente não sabe o que é opressão, não sabe o que é ser excluído de um meio por ser de uma determina cor ou classe social, não sabe o que é gritar no meio de todos e não ser ouvido. Para se desconstruir essa barreira de preconceito, é necessário uma reflexão sobre como age o nosso governo em relação aos grafiteiros. Será que eles são tratados da  mesma forma que um engravatado? 

O Brasil em geral, ainda carrega um pensamento precário em diversos assuntos, a Arte Urbana é uma das maiores vitimas, há muito o que se refletir, mas a solução que o Governo encontra é pintar os muros de cinza, deixando a "cidade limpa" ... de arte. A voz do grafite precisa gritar mais do que nunca para conseguir se manter.